Senhores passageiros, sejam bem-vindos a Washington, D.C.! Conhecida por ser o principal polo político dos Estados Unidos, a capital é a cidade que testemunhou o surgimento de algumas das figuras políticas mais influentes do nosso tempo, mas também da potente estética do jornalista que “fala a verdade ao poder”.
Como estudante de jornalismo, estou longe de defender que a capital norte-americana é necessariamente mais importante para a profissão do que qualquer outra cidade no mundo. Mas não tenho como negar que ela é uma das cidades mais famosamente associadas ao jornalismo — e cenário de alguns dos meus filmes favoritos sobre a minha (futura) profissão.
Na newsletter de hoje, em uma homenagem antecipada ao Dia do Jornalista (dia 7 de abril), convido vocês a conhecerem três histórias (e um bônus) de jornalistas que fizeram a diferença — ou uma confusão, no caso de Shattered Glass — em Washington, D.C.
Todos os Homens do Presidente
“Todos os Homens do Presidente” é ótimo cinema sobre o ótimo jornalismo. Baseado no livro autobiográfico de Carl Bernstein e Bob Woodward sobre a investigação que expôs o escândalo de Watergate e levou à renúncia do então presidente Richard Nixon, o filme acompanha os dois jornalistas do The Washington Post — interpretados por Dustin Hoffman e Robert Redford — ao longo das chamadas de telefone, conversas em garagens escuras e tecs de máquina de escrever que marcaram uma das investigações mais famosas de todos os tempos.
Broadcast News (ou Nos Bastidores da Notícia)
“Nos Bastidores da Notícia” é, em uma primeira impressão, um romance de triângulo amoroso para jornalistas. Mas o filme, lançado em 1987, também levanta uma discussão sobre o telejornalismo que só se tornou cada vez mais importante com o tempo: as grandes emissoras ainda têm o jornalismo como princípio, ou é tudo sobre o espetáculo?
Jane Craig, rigorosa produtora do telejornal de uma grande rede, busca manter o padrão de qualidade de seu programa a todo custo. Entretanto, os seus planos são comprometidos quando a emissora contrata Tom Grunick, um repórter charmoso e inexperiente que embaça a divisão — que Jane considera crucial — entre o jornalismo e o entretenimento. A mudança também abala Aaron Altman, amigo de Jane e repórter dedicado, que se sente ameaçado pelo novato que não só pode roubar o seu cargo, como também parece ter conquistado a atenção da amiga por quem é secretamente apaixonado.
Shattered Glass (ou O Preço de uma Verdade)
Alguns de nós nascem com o talento para construir novos impérios, outros precisam inventá-los. Em “O Preço de uma Verdade”, Hayden Christensen interpreta Stephen Glass, um jovem jornalista que consegue entrar para a equipe de redatores do The New Republic escrevendo histórias únicas e intrigantes. Em reuniões de pauta, o repórter sempre surpreendia os colegas por estar sempre nos lugares certos para presenciar os fatos que se tornariam as matérias mais interessantes da publicação. Tudo vai por água abaixo, no entanto, quando a equipe do jornal descobre que Stephen fabricava os eventos, fontes e acontecimentos de seus artigos.
E a melhor parte disso tudo? Stephen Glass existe e é um ex-jornalista que entrou para a equipe do The New Republic em 1995, foi demitido por fraude em 1998, estudou Direito por alguns anos e voltou à escrita em 2003 com o romance “The Fabulist”, sobre — respirem fundo antes da revelação — um jornalista ambicioso que inventava histórias para subir na carreira. Não posso parabenizá-lo pela conduta, mas tenho que aplaudir a (provavelmente dolosa) ironia.
Bônus: As Garotas do Ônibus
Eu teoricamente estou trapaceando só para poder falar sobre “As Garotas do Ônibus”: a série não se passa em Washington, mas o ônibus no qual as garotas estão passa por Washington. Podemos concordar que tá valendo?
“As Garotas do Ônibus” é uma série da HBO Max — infelizmente cancelada após uma temporada — que acompanha quatro jornalistas durante a cobertura de uma corrida presidencial. Sadie é uma novata idealista, Grace é uma cética veterana, Kimberlyn é a correspondente de um jornal republicano e Lola é uma influencer da geração Z com um gosto pelo ativismo. E porque tudo é possível na ficção, as quatro mulheres drasticamente diferentes formam um laço improvável enquanto atravessam o país em busca da verdade.
A série é clichê e até um pouco bagunçada, como muitas outras são, mas me conquistou por ser uma série clichê e um pouco bagunçada para jornalistas. Considerando o inevitável pessimismo das autorreflexões sobre a profissão, “As Garotas do Ônibus” é uma boa — e talvez necessária — dose de diversão para esse Dia do Jornalista.
Espero que tenham gostado, e nos vemos em breve! ✈️








Vi Todos os homens do Presidente. E gostei da sua resenha. Vc é meu orgulho
Só assisti "Todos os Homens do Presidente" (recomendo ver The Post, do Spielberg, para acompanhar!) mas coloquei as outras indicações na lista!! amei o texto!