Senhores passageiros, a última viagem que fizemos já tem oito meses… eu não sei nem o que dizer para vocês. Peço a licença poética de dizer que o avião estava em período de reparos, espero que para trazer viagens cada vez melhores. Ainda podemos passar por algumas turbulências até que eu pegue o jeito dessa coisa de escrever consistentemente, mas prometo que isso não comprometerá as nossas viagens.
De forma não poética, mas pessoal, senti uma falta danada de viajar com as recomendações e decidi trazer a “Recs From The City” de volta porque ela é uma baita motivação para que eu continue expandindo os meus horizontes. Eu sei — e admito com certo pesar — que eles ainda não chegam tão longe, mas espero que vocês aceitem o convite para me acompanhar enquanto eu tento mudar isso.
Para quem chegou nos últimos oito meses e não conhece a Recs From The City, deixo aqui a edição do começo :)
No entanto, não é bem agora que vou longe… O nosso destino imaginário de hoje é o meu destino de verdade do final do mês, e a proposta da nossa viagem é completamente inspirada na que eu vou fazer. Tenho passado tanto tempo com o mapa de São Paulo aberto no Google Maps para planejar os meus passeios que não consigo pensar em nenhum outro lugar no momento e, como vou viajar para o Lollapalooza, um festival de música, proponho aqui uma viagem para um pequeno festival só com bandas paulistas que refletem muito da cidade.
Elas também são, não por coincidência, algumas das minhas bandas favoritas, e, por isso, todas as fotos dessa edição são registros que fiz em shows! :)
O Grilo

Mesmo que tenha sido formada em 2016, “O Grilo” só se tornou a banda que conhecemos hoje entre 2018 e 2019, quando os membros assinaram com a gravadora Rockambole e começaram a tocar na formação que conta com Pedro Martins no vocal, Felipe Martins (ou Fepa) na guitarra, Gabriel Cavallari no baixo e Lucas Teixeira na bateria.
Em 2019, como vencedora do concurso “Temos Vagas” da Rádio Rock, a banda abriu o Lollapalooza e, daí para frente, entrou numa crescente de shows, músicas, fãs e um sucesso muito merecido. Hoje em dia, são uma joia do indie brasileiro e, na minha opinião, uma das bandas mais originais dos últimos tempos.
À la antropofagia modernista — paulista por definição —, a discografia d’O Grilo, apesar de sempre tender mais para o rock, mescla a sonoridade clássica de guitarra, baixo e bateria com diversos elementos de gêneros brasileiros como o samba e o forró.
Por cima dos ritmos igualmente ecléticos e contagiantes, as letras escritas por Pedro Martins também merecem o próprio destaque: num equilíbrio entre o filosófico e o cotidiano, “O Grilo” canta com o público sobre alegrias, dores e amores do nosso tempo em uma espécie de convite para aproveitar cada segundo dele.
Para quem quer conhecer a banda do zero, a parte 1 do disco “Tudo Acontece Agora” é puro suco d’O Grilo, e também um álbum que eu recomendo sem ressalvas.
Pluma

A “Pluma”, formada por Marina Reis (vocal), Diego Vargas (teclado/sintetizador), Guilherme Cunha (baixo) e Lucas Teixeira (bateria), tem uma história de origem interessante: nasceu como um projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Produção Cenográfica da Faculdade Belas Artes.
Curiosidade: sim, o Lucas Teixeira é o mesmo d’O Grilo. Além de dividirem o baterista, as bandas também são da mesma gravadora. Na minha cabeça, as duas são praticamente irmãs!
De uma forma ou de outra, a banda já nasceu em nome da música, e um detalhe interessante é que eles fogem da formação comum de grupos musicais por não tocarem com violões e nem com guitarras. No lugar dos instrumentos de seis cordas, contam com um sintetizador, e o resultado são grooves psicodélicos e dançantes que experimentam com diferentes gêneros.
O primeiro disco da banda, “Não Leve a Mal”, foi lançado em 2024 e não só encapsula muito bem a proposta da Pluma, como também reflete o seu nome: o som, mesmo quando carregado de synths e linhas de baixo, é leve e viaja por gêneros como pop, o jazz, o R&B e o neo soul de forma autêntica.
Terno Rei
Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Maya (guitarra) e Luis Cardoso (bateria) formam uma banda que não poderia ser mais emblemática do rock indie nem se tentasse. É o rock indie que, desde a formação da banda, nunca teve a intenção de ser diferente e tampouco pode ser confundido com outra coisa.
Com composições introspectivas e ritmos guiados pela guitarra, os cinco discos lançados nos últimos 12 anos refletem a jornada de uma banda encontrando e aperfeiçoando o seu som sem jamais abandonar o ponto de onde começaram.
Os temas também se mantêm consistentes, tratando do cotidiano, de relações, de saudades e do amadurecimento da maneira como eles se apresentam e mudam ao longo do tempo. A banda tem uma pegada nostálgica, talvez por fazer parte do indie paulista desde 2010, e uma base fiel de fãs dentro desse cenário.
O disco mais recente do grupo, “Nenhuma Estrela”, foi lançado no ano passado e representa mais um capítulo na evolução da Terno Rei. Se me permitem uma recomendação super específica e sem qualquer fundamento, ele é um bom álbum para colocar no fone a caminho da faculdade e se deixar levar para algum lugar além da próxima parada (*piscadinha*) que, inacreditavelmente, ainda não é sua. Confiem!
Espero que tenham gostado, e nos vemos em breve! ✈️





Não conheço nenhuma, como sou mais idosa, mas adorei conhecer um pouco do seu mundo. Vou procurar ouvir. Bjs