Senhores passageiros, sejam bem-vindos a Buenos Aires! Na última edição da newsletter (disponível aqui), visitamos Tóquio. Hoje, o nosso destino é a Paris da América do Sul: se a cidade realmente faz jus ao apelido, eu já não sei, mas sei que ela nos trouxe um filme, uma série e uma banda que a colocam num lugar muito bom no meu mapa.
O Faz Nada (Disponível no Disney+)
Manuel (Luis Brandoni) é um crítico gastronômico – e um senhor um tanto quanto ranzinza – que sempre dependeu de sua governanta para administrar o seu estilo de vida e suas tarefas domésticas. Um aristocrata decadente, Manuel é acostumado a regalias que seu dinheiro não compra mais e enfrenta problemas com a sua editora devido a um bloqueio criativo no processo de escrever o seu novo livro. No entanto, quando sua governanta morre, a vida do crítico é virada de cabeça para baixo, e ele contrata Antonia (Maja Cabrera), uma jovem imigrante paraguaia sem experiência alguma, como substituta. Manuel se empenha a treiná-la em todos os seus excêntricos gostos e manias, mas não demora a perceber que Antonia tem muito mais a ensinar do que aprender. Com introduções narradas por Robert de Niro, que interpreta um amigo próximo do protagonista, os cinco curtos capítulos de “O Faz Nada” retratam o sabor agridoce da vida e as pessoas que nos inspiram a vê-la e vivê-la de forma mais bonita do que antes.
Argentina, 1985 (Disponível no Prime Video)
Situado no período da redemocratização, “Argentina, 1985” é um drama histórico judicial sobre o Julgamento das Juntas, o primeiro na história em que um tribunal civil julgou os crimes cometidos por comandantes militares no poder. Lançado no Festival de Veneza em 2022 e vencedor da categoria “Melhor Filme em Língua Estrangeira” no Globo de Ouro do ano seguinte, o filme retrata a história real do trabalho dos promotores Julio Strassera e Luis Moreno Ocampo e de sua jovem equipe, desacreditada pela falta de experiência, na investigação que reuniu mais de 800 testemunhas para a acusação das violações dos direitos humanos entre 1976 e 1983. Como qualquer filme histórico que se preze, “Argentina, 1985” deve ser assistido com a cautela de lembrar que o cinema dramatiza a história e perde alguma verossimilhança no processo. No entanto, não deixa de valer como uma visão interessante do acerto de contas realizado por nossos hermanos que certamente fez falta por aqui.
Pacifica
Formada por Inés Adam e Martina Nintzel em 2022, Pacifica é uma banda argentina que mal nasceu e já está conquistando o cenário do indie rock. As integrantes se conheceram na pandemia: as duas postavam covers da The Strokes no Youtube, e uma seguidora sugeriu que as duas gravassem um cover juntas. Inés e Martina, então, publicaram um vídeo tocando “12:51” que viralizou e hoje em dia já conta com mais de um milhão de visualizações na plataforma. A partir desse momento, a dupla passou a gravar diversos outros covers e lançou, em dezembro de 2022, uma coletânea chamada “Not A Cover Band”, em que interpretam canções de bandas como The Strokes, Arctic Monkeys e Wet Leg. Em setembro de 2023, lançaram o seu primeiro álbum, “Freak Scene”: composto inteiramente em inglês, o debut faz um ótimo trabalho em apresentar quem são as jovens argentinas e o que elas trazem ao cenário musical atual. O disco tem apenas 30 minutos de duração e é a minha recomendação para os fãs de indie rock – e especificamente para os fãs do tipo de música que provavelmente estaria na playlist da Kat Stratford de “10 Coisas que Eu Odeio em Você”.
Espero que tenham gostado, e nos vemos daqui a duas semanas! ✈️






Incrível!! Amei as recomendações e tava mesmo buscando elementos culturais latino-americanos que descorressem sobre o período militar depois de ver Ainda Estou Aqui. Muito obrigada por adiantar o processo de um jeito tão atencioso 🫶