Senhores passageiros, sejam bem-vindos ao Rio de Janeiro. Cidade do eterno verão, de algumas das paisagens mais lindas do país e desta autora 🙋♀️. Hoje, vos convido a conhecer um pouquinho da cidade maravilhosa com um filme, uma banda e um conto muito queridos – e muito cariocas.
FILME: Ainda Estou Aqui (2024)
Sim, sei que estou monotemática falando sobre esse filme o tempo todo… mas isso não significa que pretendo parar. Com uma história que se passa no Rio em mãos, o diretor Walter Moreira Salles não mediu esforços para tornar os seus cenários tão fidedignos quanto poderiam ser, gravando diversas cenas nos próprios locais em que aconteceram. As cenas na praia, por exemplo, foram filmadas no Leblon – em um ponto próximo ao que a família Paiva frequentava na época – e, durante as gravações, o calçadão, a ciclovia e a rua foram fechados para garantir que nenhuma vestimenta ou veículo dos tempos atuais aparecesse no fundo das cenas.

Outro cenário real utilizado foi a Confeitaria Manon, no centro da cidade, que serviu de fundo para uma das cenas mais lindas e emocionalmente carregadas do longa. Fundado em 1942, o estabelecimento está aberto até hoje e tem atraído muitos clientes desde a estreia do filme. Abaixo, uma foto de baixíssima qualidade de quando eu visitei a confeitaria, em janeiro de 2023, muito antes de sequer saber sobre “Ainda Estou Aqui” – mas agora posso dizer que já lanchei no cenário de um filme indicado ao Oscar.

BANDA: AQUINO
Formada por João Soto, João Vazquez e Leandro Bessa, a AQUINO é uma banda que vai do indie à MPB, com referências que variam do Clube da Esquina a Talking Heads. O último álbum do trio, “Nada Fica Muito Tempo Exposto ao Sol”, foi lançado em outubro de 2024 e traduz perfeitamente a personalidade da banda, explorando a brasilidade na sonoridade do pop e trazendo as paisagens do Rio de Janeiro para o cenário indie brasileiro. Lançamentos anteriores, como o álbum “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” e o EP “Aquino e a Orquestra Invisível” — que já foi o nome da banda, inclusive, mas a orquestra acabou seguindo carreira internacional e não foi vista desde então — também contribuem para o repertório do trio e são fortes recomendações minhas, visto que incluem algumas das minhas músicas favoritas não só da banda, mas da vida. A AQUINO é muito carioca, muito talentosa e muito – mas muito – querida para mim. Desejo tudo o quanto é lindo para a carreira deles e espero que vocês escutem e se apaixonem pela discografia assim como eu me apaixonei. <3

LIVRO: A Cartomante, de Machado de Assis
Não tem como falar de literatura no Rio de Janeiro sem falar do carioquíssimo Machado de Assis. Uma boa porção de suas obras, incluindo as mais famosas, se passa na cidade maravilhosa, em diferentes bairros, mas a minha recomendação é um conto que não te dá motivos para não ler: são menos de 30 páginas, e ele já está disponível em domínio público (li por esse site aqui). A história, como um bom conto machadiano, gira em torno de um triângulo amoroso formado por Vilela, que é casado com Rita, que tem um caso com Camilo, amigo de infância do marido. O ponto de encontro dos amantes é uma casa na Rua dos Barbonos, atual Rua Evaristo da Veiga, onde fica o famoso Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Espero que tenham gostado, e nos vemos daqui a duas semanas!



