Oscar 2025: opiniões, expectativas e torcidas
Faltam 37 dias para o Oscar, a maior premiação no mundo do audiovisual. A lista de indicados, divulgada ontem, trouxe felicidades, surpresas e também algumas decepções. Como sempre. E, como sempre, venho trazer os meus pitacos de alguém que vê filmes demais (mas não o suficiente — trabalharemos nisso até o dia 2 de março).
Com um público mil vezes maior do que o comum no Brasil, a edição de 2025 do evento promete muito aos brasileiros. Se não proporcionar grandes vitórias, ao menos proporcionará grandes emoções. Sendo brasileira, é difícil falar da premiação sem dar destaque a Fernanda Torres e Walter Salles antes de qualquer outra coisa. Não há nada e nem ninguém que possa me convencer de que as duas indicações que já esperávamos — Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz — não seriam uma grande vitória. As três que conseguimos, então, são motivo para festas no país inteiro.
Nos meus 18 anos de vida, as únicas vezes em que vi o Brasil tão unido e fazendo tanto barulho na gringa foram as Copas do Mundo. Elas não devem ser desmerecidas de forma alguma, mas é legal ver o cinema — algo que eu gosto tanto e sempre me trouxe tanta alegria — causando as mesmas reações em brasileiros de todas as idades e todos os gostos. Minha torcida é inteira desse filme desde que eu o vi na estreia, e mal posso esperar para comemorar essas vitórias assim como já comemorei todas as outras.
Outro filme que tem a minha torcida absoluta é “Duna: Parte Dois”. Praticamente esquecido pelas outras premiações, o longa felizmente foi acolhido e reconhecido pela Academia com cinco (!!!!) indicações. Já escrevi e falei tanto sobre Duna no último ano que pouparei os leitores de aguentarem, mais uma vez, uma demonstração do quanto eu sou doida por esse filme. Mas saibam que é muito, muito mesmo. Considero absurda a desconsideração com o Villeneuve na categoria de direção, mas vou deixar para travar essa batalha quando “Duna: Messias” for lançado. Em um tópico distinto, a apenas um francês engraçadinho e duplamente indicado ao Oscar de distância, “Um Completo Desconhecido”, biografia do Bob Dylan, também surpreendeu o público com oito indicações. É um (possível) grande filme que ainda não assisti, mas tenho a leve impressão de que indicaram o Timothée pela performance errada… Voltarei para confirmar ou negar em algum ponto do mês que vem!
“Uma Verdadeira Dor” conseguiu apenas duas indicações, mas ambas são extremamente certeiras e, por enquanto, são as minhas apostas. Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, as indicações do Kieran Culkin e do Jeremy Strong configuram uma briga de gigantes e um remake da temporada de premiações do ano passado, na qual os dois competiam por seus papéis em Succession. A performance de Strong em “O Aprendiz” (grande filme, felizmente já assisti!) é verdadeiramente excelente, mas, se as coisas dependessem dessa autora que vos escreve, a temporada de premiações atual não teria resultados diferentes da anterior.
“Wicked”, “Anora” e “A Substância” são filmes que, de uma forma ou outra, me surpreenderam pelas indicações. Jamais imaginei que veria “Wicked” com tanta força nas premiações, mas fico feliz com o reconhecimento e com a alegria que ele traz para todas as theater kids espalhadas pelo mundo agora. “Anora”, embora tenha me agradado e me divertido, não tem a minha torcida para nenhuma grande vitória. A presença de “A Substância” nas principais categorias do Oscar é uma novidade completa para todos, mas eu não me oponho. O gênero não é o meu favorito e eu não tive a melhor das experiências assistindo, mas o fato de que a Academia está se mostrando mais aberta para filmes fora do eixo de drama me deixa feliz.
As treze indicações de “Emilia Pérez” são quase um presságio de fim dos tempos. O filme ganhou uma quantidade absurda de haters nos últimos tempos por conta da rivalidade com “Ainda Estou Aqui”, mas eu gostaria de deixar claro que os meus problemas com ele são inteiramente particulares. As performances deixam a desejar, a parte musical (do filme musical) não tem alma nenhuma e o roteiro, além de não ter pé nem cabeça, reforça tantos estereótipos que chega a ser ofensivo. A própria história tenta ser tantas coisas que acaba não sendo nada além de uma grande bagunça de acontecimentos. Se levar qualquer uma das treze indicações, já vai ser um exagero.
No geral, ainda tenho muitos indicados para assistir e estou especialmente curiosa para ver “Conclave”, “Um Completo Desconhecido”, “Sing Sing” e “O Brutalista”. Que comece a Oscartona!






