“Homem-Aranha: Através do Aranha-Verso” é o melhor filme de super-herói da década
(Sem spoilers)
Cinco anos após a primeira instalação da franquia, o novo filme do Aranha-Verso chegou às telonas com estrondosos 97% de aprovação e com uma demonstração tão excepcional de maestria do gênero que torna-se quase impossível descrever os sentimentos dos fãs em palavras (ou ao menos em palavras compreensíveis). A sequência se passa cerca de um ano depois dos eventos do último filme, e, dessa vez, acompanhamos Miles Morales e ainda mais variações do Homem-Aranha em uma viagem pelo multiverso que coloca tudo em xeque e obriga Miles a rever o que realmente é ser um herói. Durante as suas duas horas e vinte minutos de duração, “Através do Aranha-Verso” é um espetáculo de originalidade e uma aula magistral sobre composição de mundo, desenvolvimento de personagens, construção de roteiro e, mais notoriamente, o verdadeiro aproveitamento do formato da animação.
Há quem vá discordar, mas, por dois mais dois, “Através do Aranha-Verso” é o melhor filme do Homem-Aranha já feito e o seu único concorrente é o próprio antecessor (e eu digo isso como uma grande fã de tudo que envolva o nosso querido miranha). Nenhum outro projeto do herói sequer chegou perto de adaptar os quadrinhos tão fielmente, e isso é praticamente indiscutível. Por outro lado, é discutível que o formato da animação, principalmente da forma como é aproveitado nessa adaptação, é o seu maior aliado e, ao mesmo tempo, um grande opositor. A animação é vista como “um gênero inerentemente infantil” (o que não poderia estar mais errado, por sinal, pois ela não é um gênero e muito menos voltada exclusivamente para o público infantil) e isso infelizmente faz com que muitas pessoas subestimem o projeto como um todo. Entretanto, se as pessoas se livrassem dessa visão, elas rapidamente perceberiam que essa franquia carrega nas costas uma verdadeira inovação no meio dos filmes de super-herói: utilizando todos os recursos da animação como elementos da narrativa, os criadores fazem do Aranha-Verso uma verdadeira HQ em movimento, até mesmo usando diferentes traços para alguns personagens e os diversos mundos que eles visitam. Tem como ser mais fiel que isso?
Um outro feito marcante dessa sequência é que, de uma forma que parece completamente natural, ela conseguiu construir e desenvolver uma história para cada um dos diversos personagens na trama (sobrenaturais ou não) sem se perder entre eles. O feito por si só já é impressionante, mas ele se torna mil vezes mais especial para os fãs devido à sua abordagem sensível às peculiaridades de cada personagem. Com Miles Morales e Gwen Stacy permanecendo sob os holofotes na maior parte do tempo, é quase impossível não se comover ao ver os dois crescendo e lidando com as dificuldades que o(s) universo(s) bota(m) no caminho deles, mas figuras como o querido Peter B. Parker e os pais de Miles também têm os seus momentos de emocionar o público.
Em relação ao plot, já havia sido publicado há algumas semanas que os produtores do filme esperavam que “Através do Aranha-Verso” fosse “O Império Contra-Ataca” dessa franquia. Levando em consideração que o capítulo V de Star Wars é conhecido como uma das melhores sequências de todo o cinema, o comentário pode parecer ambicioso, mas não é. “Homem-Aranha no Aranha-Verso” foi um ótimo filme, mas a sua sequência eleva a história a um nível inexplicável que ninguém estava esperando ver. Uma continuação tão boa definitivamente cria muitas expectativas para o final da trilogia, mas eu não tenho nenhuma dúvida de que todas elas serão não só alcançadas como também superadas: com dois filmes excepcionais, os diretores, roteiristas e produtores já provaram mais de uma vez que não há ninguém como eles nessa terra (e provavelmente nem nas outras).





