Festival do Rio 2025
Minhas sessões e opiniões
O Festival do Rio chegou ao fim, mas a cinefilia é para sempre. Até o próximo chegar, deixo aqui as minhas impressões sobre os filmes que assisti nessa edição e já conquistaram um cantinho no meu coração!
Valor Sentimental ★ ★ ★ ★ ★
Um prato cheiíssimo para todos os fãs de “A Pior Pessoa do Mundo” — eu inclusa. O filme conta a história da reunião das irmãs Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) com o seu pai Gustav (Stellan Skarsgård). O homem, cineasta “em hiato”, oferece o papel da protagonista do seu filme de comeback à indústria para Nora, atriz de teatro. Quando a filha o recusa, Gustav acaba por contratar uma jovem atriz de Hollywood, Rachel Kemp (Elle Fanning), em seu lugar. Ao longo do drama, os personagens navegam as suas complicadas (e profundamente humanas) relações uns com os outros e com o mundo que os cerca.
Fazer filmes sobre ser gente no meio de tanta gente não é exatamente inovador para o cinema contemporâneo, mas é uma das minhas tendências favoritas dele. É reconfortante ver, nos últimos anos, tantos cineastas descobrindo cada vez mais formas de olhar para o pequeno, para o comum e para o que nos cerca no cotidiano. Acho muito bonito que isso traz o cinema para mais perto das nossas vidas e nos faz ver as nossas vidas mais perto do cinema, e esse é exatamente o efeito que esse filme causou em mim. Lindo!
The Mastermind ★ ★ ★ ★
The Mastermind, ambientado em Massachussets nos anos 70, conta a história de JB Mooney (Josh O’Connor), um carpinteiro desempregado que, no desespero, decide planejar um roubo de artes valiosas de um museu. De maneira nada chocante, as consequências do seu roubo acabam se tornando bem mais complicadas do que os seus planos.
Não tenho nada para dizer sobre esse filme que passe muito longe da observação mais gritante sobre ele: é uma versão norte-americana de La Chimera, basicamente — com todas as implicações que costumam acompanhar uma “versão norte-americana” de qualquer coisa. Mas tudo bem, eu entendo: eu também fiquei muito encantada quando vi o Josh O’Connor em La Chimera e, se eu fosse cineasta, provavelmente também teria um instinto fortíssimo de tê-lo em um filme meu, mesmo sabendo que eu jamais poderia recriar a obra de arte que é a performance original.
Devo esclarecer, no entanto, que essa observação não desvaloriza o filme nos meus critérios. É, sim, uma coisa um pouco óbvia demais, mas eu não deixei de me divertir! O filme é bem ritmado, perfeitamente cômico e, se me permitem dizer, você sempre vai ter uma boa experiência em um filme com o Josh O’Connor em seu clássico papel de pobre coitado. Vale assistir!
Morra, Amor ★ ★ ★ ,5
Grace (Jennifer Lawrence) e Jackson (Robert Pattinson) são pais de primeira viagem e, buscando um pouco de paz, se mudam para uma casa na zona rural de Montana. Jackson trabalha fora de cidade, e Grace, uma escritora que abandonou o ofício, fica em casa cuidando de seu filho. Quando a mulher se vê isolada do resto do mundo, sua mente começa a espiralar — e leva o seu casamento junto.
Tenho para mim que até quem entendeu o filme provavelmente saiu se questionando se entendeu. Com o perdão da palavra, é um filme doido e caótico demais para mim. Ainda assim, entregou exatamente o que eu esperava quando comprei o ingresso, sem ler a sinopse, só porque gosto muito do Robert Pattinson e da Jennifer Lawrence. Grandes performances! Sendo fã deles ou não, é interessantíssimo ver dois atores que surgiram e cresceram em um campo tão ordinário quanto o dos filmes adolescentes se jogando de cabeça em filmes tão “diferentões”. Acho que eles têm o direito de serem tão esquisitos quanto quiserem depois de tantas provações nessa indústria, e fico muito feliz que ambos continuem brilhando em diferentes tipos de performance.
As Meninas ★ ★ ★ ★ ,5
As Meninas, ambientado em 1997, começa quando Eva, em um ato de rebeldia contra a própria mãe, decide se mudar de uma luxuosa vila suíça para a Itália, levando Linda, sua filha de 8 anos, consigo. Em sua nova cidade, Linda conhece as irmãs Marta e Azzurra, de 9 e 10 anos, respectivamente. As três meninas logo formam um laço que não tarda a se provar fundamental para que elas mesmas se protejam das adversidades que a vida coloca em seus caminhos.
Dizer que esse filme é lindo é quase um eufemismo. È troppo bello! O filme traduz perfeitamente a imensidade da descoberta do mundo quando se é uma jovem garota e me encantou muito por fazê-lo justamente partir de uma das coisas mais sagradas que se pode descobrir: a amizade entre garotas. Linda, Marta e Azzurra se protegem mutuamente do mundo, protegem os seus sonhos e colocam as próprias estrelas no céu quando tudo parece escuro demais. É praticamente impossível sair do cinema sem levar um pouquinho delas no coração, e eu espero muito, mas muito mesmo, que esse filme ainda volte para os cinemas brasileiros fora do festival.
Jacaré ★ ★ ★ ★ ★
Jacaré conta a história de Pedro, um jovem que vende bebidas na estrada que leva milhares de pessoas às suas férias na praia. Sem uma lembrança sequer do mar, um dia Pedro embarca numa viagem ao litoral que o muda profundamente.
Uma pequena surpresa! Comprei o ingresso para a sessão de “Virtuosas” sem saber que teria a exibição desse curta antes e fiquei de coração quentinho!
Virtuosas ★ ★ ★ ★
Um retiro VIP para as chamadas "mulheres virtuosas” em busca de sua melhor versão sai dos trilhos.
À la Randy Meeks da franquia Pânico, você provavelmente acha que já sabe tudo o que vai acontecer nesse filme. Clichês do terror, coisa e tal. Talvez você nem erre tanto. Entretanto, de forma bem inteligente, Virtuosas usa do terror para explorar o que há de pior no ser humano e traz reflexões muito interessantes sobre o extremismo, as tão comentadas tradwives e a nossa posição no meio dessa espiral descendente.
Em debate após a sessão, para fechar a minha maratona com uma chave de ouro, uma das atrizes do filme comentou sobre como a sua personagem comete um erro imperdoável ao menosprezar e subestimar certos comportamentos que, para ela, beiravam o ridículo. Por mais fantasioso que seja, é o tipo de coisa que nos leva a pensar se nós também não estamos cometendo o mesmo erro fora da ficção — e se vamos poder nos perdoar daqui a alguns anos.
Fazendo uma retrospectiva, fico feliz em dizer que tive um saldo mais do que positivo nesse festival. Vi o dobro de filmes do ano passado (*suspiro* como é bom estar livre do vestibular) e genuinamente acho que todos valeram a pena.
Não tenho como esconder, no entanto, que fiquei devastada por não conseguir ingressos para Hamnet e O Agente Secreto. Grandes filmes, ainda não assisti… Mas estou ansiosíssima para ver assim que lançarem nos circuitos de cinema. Sem nenhum exagero, tive mais facilidade para conseguir ingressos para a The Eras Tour do que para as sessões deles. Todos vocês que estavam no lá Odeon são os meus inimigos!
Além desses dois filmes, dos quais eu já sabia antes do festival, escutei amigos falarem muito bem de Reconstrução, com o Josh O’Connor, e Pequenos Pecados, da diretora estreante Urška Djukić. Não sei se e nem quando terei uma chance de ver esses filmes, mas fico na torcida.









texto maravilhoso!! sua escrita encanta, fiquei com vontade de assistir todos os filmes 🌟
bravo! bellisimo! 👏🎞️