Entre lágrimas, gritos e garfos, “The Bear” levanta os padrões das séries atuais
A melhor forma de resumir a segunda temporada de “The Bear” seria simplesmente dizer que Carmy Berzatto está vivendo um verdadeiro inferno, porque é verdade. Abrir um restaurante já não é fácil, muito menos quando se fala de um restaurante que, além de ser da sua família, estava à beira da falência até ontem. Carmy não está sozinho: o restaurante sempre conta com a presença de uma dúzia de cozinheiros talentosíssimos que são praticamente uma família, mas, no fundo, todos estão tão perdidos quanto ele. Como se tudo isso já não bastasse, ele ainda lida diariamente com o luto pelo falecido irmão e a própria saúde mental (ou a ausência dela).
Foi em torno desse cenário mais do que caótico que Christopher Storer, o criador e diretor da série, produziu uma temporada impecável e, se me permitem dizer, ainda melhor do que a anterior. Nesse comentário, é bem importante lembrar que a primeira temporada é não só pluralmente premiada como também considerada uma das melhores lançadas nos últimos anos. O excepcional trabalho de câmera, o ritmo rápido e o forte envolvimento do espectador, fatores já característicos da série, permanecem presentes e contribuem mais do que nunca para a construção do mundo que é o pequeno restaurante agora chamado “The Bear”. Simultaneamente, a série mantém a sua essência ao continuar lidando com temas como o luto, a família, a amizade, o amor e todas as dificuldades que surgem entre eles de forma criativa, envolvente e sensível.
Um destaque é o sexto episódio da temporada, situado inteiramente em um jantar da família de Carmy. Entre lágrimas, gritos, e garfos, a dinâmica dos Berzatto é apresentada ao público através de técnicas que, de certa forma, colocam o espectador na posição de um convidado do jantar que não sabe bem o que dizer, apenas assiste boquiaberto enquanto as confusões se desenrolam. Essa ambientação, em conjunto com o roteiro e as performances espetaculares do elenco e dos convidados especiais (que são muitos), consolidam o 02x06 como o melhor da temporada.
Além disso, um ponto alto — altíssimo, na verdade — dessa continuação é o desenvolvimento pessoal de cada personagem e suas respectivas buscas por algum pedacinho de sentido no meio do caos. Marcus vai à Copenhague, Richie passa uma semana trabalhando no melhor restaurante da cidade e Tina e Ebra ingressam em uma escola de culinária, mas a mais significativa das narrativas ocorre em cenários muito comuns da série: com a maioria de suas cenas no The Bear ou no apartamento do nosso protagonista, o relacionamento entre Carmy e Sydney rouba todos os holofotes sem qualquer esforço. Quando tudo parece dar errado, não leva muito tempo até que os dois percebam que precisam um do outro como chefs, sócios e amigos (ou até mais que isso, mas depende de quem você perguntar), e eles têm uma dinâmica linda de se ver. Os seus intérpretes, Jeremy Allen White e Ayo Edebiri, são escolhas perfeitas para os personagens e representam essa dinâmica perfeitamente.
Desde o lançamento dos 10 novos episódios, no dia 22 de junho, a série manteve os seus 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e conquistou mais milhares de fãs ao redor do mundo. A primeira temporada já está disponível no Star+ e a segunda chegará no streaming no dia 13 de agosto.





