É intuição feminina
Artistas que você deveria escutar antes do lançamento do "you seem pretty sad for a girl so in love"

Não existe possibilidade de falar sobre outra coisa essa semana: minha cabeça está completamente tomada pelo novo single da Olivia Rodrigo e por tudo o que ele pode nos dizer sobre a nova era. Eu sinto que esse álbum vai conversar comigo de formas inexplicáveis e não sei como vou aguentar a ansiedade de escutar o resto das faixas por mais 54 dias — imagino que algumas de vocês estejam na mesma.
Para nos consolar, venho com recomendações de artistas perfeitas para garotas que parecem um tanto tristes para estarem tão apaixonadas. Algumas são artistas que a Olivia já citou como inspirações, mas as escolhas partem do que a minha intuição me diz sobre como vão ser a temática e a sonoridade do álbum. A maioria não tem o menor fundamento além disso, mas confiem em mim: me foi revelado em um sonho que eu e a Olivia somos assim 🤞🤞
OBS: No final dessa edição você encontra o link para uma playlist com as minhas músicas favoritas das artistas que escolhi recomendar ;)
Fiona Apple
Fiona Apple é uma das maiores inspirações de Olivia. Um perfil da cantora publicado na The New Yorker há alguns anos fala da arte de uma “sensibilidade radical”, e o termo faz um bom trabalho em descrever a música da Fiona em mais de um sentido. Em sua discografia, a artista demonstra que sua forma de sentir é sempre drástica e veemente, e, por meio de uma honestidade quase brutal, ela traduz esses sentimentos na música carregando cada miligrama da intensidade com a qual os sentiu. É radicalmente sensível, e infinitamente admirável.
Essa sensibilidade é uma grande fonte de inspiração para Olivia: em uma entrevista a British Vogue, ela cita Sullen Girl, do álbum Tidal, como uma das faixas que mudaram a sua vida:
“Ela [a música] também me deu muita inspiração da vibe sad girl. Aquele álbum é muito triste, e especialmente essa música é bem triste, e eu acho que isso acabou entrando um pouco no meu DNA de compositora.”
Como recomendação, além da própria faixa citada por Olivia, deixo a música I Want You To Love Me. É a minha favorita da Fiona Apple, confesso, mas também pode ser interessante para pensar a dicotomia do “you seem pretty sad for a girl so in love”: é um retrato do equilíbrio entre a melancolia de saber que tudo passa e a aceitação de que isso não diminui o valor de nada.
Hayley Williams
“Hayley Williams, Gio? Mas você não lembra da confusão entre a Olivia e o Paramore?” Não! Estou escolhendo esquecer em prol de algo muito mais importante (paralelos temáticos entre duas artistas que eu amo muito).
O último álbum solo de Hayley Williams, “Ego Death at a Bachelorette Party”, e o “you seem pretty sad for a girl so in love” conversam muito desde os títulos: uma noiva desiludida em uma despedida de solteira realmente parece bem triste para uma garota (supostamente) tão apaixonada.
Eu não me surpreenderia se, no dia 12 de junho, descobríssemos que a maior diferença entre os dois discos são os quinze anos que separam os nascimentos das duas cantoras. O “Ego Death at a Bachelorette Party” é resultado de uma época de crescimento pessoal e autorreflexão na vida de Hayley, tanto em relação à fama quanto a sua vida pessoal e amorosa. Mais do que isso, também parte de um salto para longe da Paramore e rumo ao desconhecido: é a descoberta de uma nova sonoridade, de novos temas e de novas formas de ver tudo o que viveu nas últimas duas décadas de palco.
Seguindo a mesma linha, em entrevista ao Zane Lowe sobre o novo álbum, Olivia comentou o motivo pelo qual abandonou os títulos de quatro letras e os tons de roxo, já intrínsecos a sua estética como artista:
“Estou mais velha agora. Esse é um álbum que fiz aos 22 anos. Os outros álbuns fiz quando eu era uma adolescente, e me pareceu uma progressão natural só mudar as coisas e querer fazer algo diferente artisticamente.”
Como recomendação, deixo as músicas “Parachute” e “Good Ol’ Days”, hinos nostálgicos e perfeitamente agridoces.
Florence + The Machine
Colocar tudo para fora sempre foi um tabu para as mulheres. Felizmente, hoje em dia, diversas artistas utilizam da arte para não só desafiar essa noção, mas também para fazer um convite: grite conosco. O que Olivia Rodrigo faz em suas performances ao vivo de “all-american bitch” — convidar o público a “pensar em algo que te tire do sério e gritar o mais alto que puder” — é o que a Florence + The Machine vem fazendo simbolicamente ao longo de sua carreira e verbalmente em seu último lançamento, o disco “Everybody Scream”.
O principal comentário que recebi em um vídeo meu gritando para o chão foi ‘muito eu’”, disse Welch, de 39 anos. “Espero que qualquer pessoa que esteja tentando passar o dia gritando por dentro possa vir ao meu show e gritar por fora.”1
A ideia do grito sequer precisa ser literal. O destaque é para o fato de que Olivia e Florence, cada uma à própria maneira, tomam a música como oportunidade para cantarem os seus sentimentos já com o conhecimento — e a esperança — de que eles podem ressoar com diversas pessoas ao redor do mundo. Aqui, o desabafo vira intimidade, conexão e catarse.
Em entrevista ao The New York Times, Olivia descreveu a experiência de ter a música cantadas de volta pelos fãs como “uma catarse emocional em sua forma mais pura”:
A cantora e compositora afirmou que a experiência coletiva é especialmente marcante. “Estar em uma sala cheia de estranhos e poder compartilhar um momento íntimo de libertação emocional, como um grito, é muito poderoso”, disse ela. Esses momentos de conexão são “o que torna a música ao vivo tão importante e emocionante”, acrescentou.
Como recomendação, deixo a faixa-título do último álbum, “Everybody Scream”, e “Girls Against God”, do “Dance Fever” — as duas são produtos de sentimentos enormes e conflitantes, assim como a melancolia e a paixão do próximo álbum de Olivia.
Wolf Alice
Não tenho muita elaboração para essa: “drop dead” é a filha primogênita de “Don’t Delete The Kisses”, música mais conhecida da Wolf Alice. A banda inglesa já tem lugar marcado no coração dos fãs de música indie, e a sua mistura do rock dos anos 90 com o dream pop é uma sonoridade que muitos fãs — eu inclusa — demonstraram que gostariam de ver no “you seem pretty sad for a girl so in love”.
Como recomendação, pensando em sonoridade, deixo o álbum “Visions of a Life”, de 2017.
The Last Dinner Party
A The Last Dinner Party já foi ato de abertura em um show da era Guts em 2024, e Olivia já citou o quinteto como uma de suas bandas favoritas no podcast “Music Makes Us”. O rock da TLDP é um ponto muitíssimo fora da curva — de forma curiosa e muito bem sucedida, mistura o glam com o barroco e o indie —, mas as suas temáticas são mais universais: os altos e baixos do amor, da obsessão e de ser mulher. À la Fiona Apple, a discografia da banda é muito marcada pela intensidade dos sentimentos que ela retrata.
Nota da autora: já escrevi sobre a The Last Dinner Party na Recs From The City de Londres :) Lembro de escrever a edição pouquíssimo depois de conhecer e me apaixonar pela banda, e agora posso afirmar que continuo cada vez mais apaixonada. É hit aqui em casa!
Como recomendação, deixo as faixas “The Feminine Urge” e “Mirror” — tematicamente bem distintas, mas mostram bem a amplitude da discografia.
Aqui, deixo o link da playlist que fiz com algumas músicas das artistas que recomendei nessa edição! E estou aceitando mais recomendações, por sinal. Não brinco quando digo que o meu gênero favorito de música é “mulheres com grandes corações e guitarras (ou violões) tão expressivas quanto os seus sentimentos” <3
Essa citação, assim como a citação de Olivia dois parágrafos depois, foi retirada do artigo “The Girls Are Screaming”, de Melena Ryzik, publicado em setembro do ano passado no The New York Times. É um texto interessantíssimo sobre o que a liberdade artística de gritar significa no nosso entendimento do que é crescer como mulher no mundo de hoje. Recomendo fortemente!








