Daisy Jones & The Six
Uma história de amor, música e tudo o que vem no meio
“Não dá para ser mais claramente destruída por dentro e ter uma beleza mais clássica do que a de Daisy Jones.” Eu poderia escrever vários e vários textos sobre a série de Daisy Jones & The Six, mas nenhum deles seria capaz de descrevê-la tão perfeitamente quanto essa frase, que é uma das primeiras do livro original. Isso porque não tem como falar dessa história sem comentar o óbvio: recontando todas as cicatrizes que levaram à ruptura da banda (infelizmente fictícia, mas agora nem tanto), ela é essencialmente uma história de pessoas e relações em ruína, mesmo quando acobertada pelo glamour do rock ’n’ roll nos anos 70.
Com 3 episódios já disponíveis na Amazon Prime, a mais nova adaptação da plataforma conta a jornada de uma banda fictícia nos anos 70, desde os ensaios de garagem até o estrelato. No formato de docuseries, a série intercala as cenas da história com fragmentos de entrevistas realizadas pelos membros 20 anos depois do fim da banda, mostrando as opiniões pessoais de cada um sobre os fatos.
Como série televisiva, Daisy Jones & The Six, além de visualmente linda, é tudo que qualquer fã de rock (especialmente Fleetwood Mac *piscadinha*) adoraria ver. Apesar do foco nas relações complexas entre os personagens, uma grande parte da história e também dessas relações é o amor pela música, pelo ato de fazer música e permitir que o mundo a escute, e é impossível negar a beleza e a importância dessa apreciação da arte. Um outro aspecto positivo da série é que, apesar de intercalar as narrativas, ela definitivamente privilegia a exposição do que realmente aconteceu e, consequentemente, não hesita em mostrar o contraste entre os altos e baixos da vida dos astros do rock (coisa que se perde na mera contação de histórias).
Como adaptação literária, o projeto até agora já fez mais do que cumprir seu propósito. Mesmo não sendo uma réplica, e eu não estou dizendo que deveria ser, nenhum pedaço da história se perdeu na tradução para as telas, e isso já é MUITA coisa. Talvez esteja cedo demais para afirmações, mas esses primeiros episódios me deram uma esperança enorme de que Daisy Jones & The Six vai ser a série do ano para mim.
*Aviso de spoilers tanto do livro quanto da série a partir desse ponto*
Sobre as mudanças do plot em si, eu preciso confessar que até gostei da maioria delas. E até mesmo as que não gostei também não me incomodaram muito, porque acredito que elas vão ter um propósito maior até o último episódio. A mudança na história do Chuck, por exemplo, não faz o menor sentido para mim, mas de forma geral é pelo menos uma saída mais otimista do que a morte na guerra.
A alteração que mais me chamou atenção, no entanto, é o fato de terem transformado Eddie e Camila em uma “coisa”. Eu estaria mentindo se disesse que foi isso que eu pedi, mas acho que vai ser um plot interessante (e eu não consigo deixar de soltar uma risadinha ao pensar na ironia do maior hater do Billy Dunne se envolver com a esposa dele e potencialmente tratá-la melhor do que o próprio marido).
E, deixando o melhor para o final, a minha novidade favorita na série são as cenas em que a Daisy e os Six se cruzam acidentalmente antes da gravação de Honeycomb. Elas me passam muitas vibes de “invisible string” da Taylor Swift, e eu simplesmente apoio tudo que envolva a ideia de “almas gêmeas destinadas”. Viva a loirinha!
Ranking das músicas do Aurora
The River (simplesmente sem comparação, eu venderia minha alma pra escutar essa ao vivo)
More Fun to Miss (dispensa explicações)
Please (se me falassem que essa é uma música da The Last Shadow Puppets, eu facilmente acreditaria)
Look At Us Now (eles me ganharam com a sample de The Chain da Fleetwood Mac)
Let Me Down Easy
Two Against Three (pode sair do fake Phoebe Bridgers, eu sei que foi você quem compôs essa aqui!)
Regret Me
You Were Gone
Kill You To Try
Aurora
No Words






