A Maravilhosa Sra. Lane
A icônica repórter ganhou mais uma representação na mídia, e o mundo ganhou muito com isso
Rachel Brosnahan se tornou conhecida no mundo e ganhou um Emmy por seu papel como a protagonista da série A Maravilhosa Sra. Maisel da Amazon Prime. Por seis anos, a atriz deu vida à comediante Midge Maisel, que iluminava as telas e encantava o público com a sua paixão e sua coragem. Do episódio piloto ao finale da última temporada, a trajetória de Midge fez dela um farol de esperança e inspiração tanto para as donas de casa dos anos 50 retratadas na série, quanto para as mulheres modernas que a assistiram do sofá de suas casas — acompanhar uma mulher tão apaixonada pelo que faz e tão determinada a continuar fazendo isso é o tipo de coisa que, no mínimo, fica no seu coração, mesmo que não te inspire a agir (ainda).
“Eu quero uma vida grande. Eu quero viver tudo, eu quero quebrar cada uma das regras que existem. Eles dizem que ambição não é um traço atraente em uma mulher. Talvez. Mas sabe o que realmente não é atraente? Ficar esperando que algo aconteça, encarando uma janela pensando que a vida que você deveria viver está em algum lugar lá fora, sem estar disposta a abrir a porta e ir atrás dela — mesmo se alguém te diz que você não pode. Ser covarde só é fofo em ‘O Mágico de Oz’.’’ - Midge Maisel no episódio final da série.
Esse espírito certamente permaneceu no coração de Rachel Brosnahan, que, dois anos após o fim da série, voltou a encantar o público como Lois Lane em Superman. Muitos de nós já estávamos na torcida para vê-la nas telonas e não esperávamos nada além do brilhantismo que Rachel já havia demonstrado tantas vezes antes, mas a sua performance cativou até mesmo quem nunca tinha ouvido o seu nome.
A Lois Lane de Rachel é destemida, sabe o que quer e não tem medo de fazer o necessário para consegui-lo. Embora isso seja “ultrapassado” para o filme de 2025, que se passa depois de toda a história de origem, ela é exatamente a Lois que pularia do alto de um prédio para provar um ponto e obrigar Clark a revelar os seus poderes. Acima de tudo isso — ao meu ver, pelo menos — está o fato de que ela é muito, mas muito, boa no seu trabalho.
Como vestibulanda de jornalismo, eu consumia uma quantidade de mídias do Super-Homem estranhamente grande para alguém que, na época, não estava nem aí para o homem de aço. O importante para mim era ver a Lois Lane em ação e ter alguém para quem apontar e dizer “tudo isso aqui é para que um dia eu possa ser assim, fazer o que ela faz”.
Nunca cheguei a desgostar de nenhuma representação da Lois Lane, mas, como estudante de jornalismo (!!!!!!!!!! fui promovida), é um tanto quanto especial para mim ver uma representação da personagem que não deixa, em momento nenhum, que o título “namorada do Super-Homem” tenha mais importância do que “jornalista vencedora do Pulitzer Lois Lane”.
No filme de 1978, por exemplo, Lois Lane é representada como uma grande repórter, mas quando ela se apaixona pelo Superman, perde todo o fio da entrevista — e sinceramente? Compreensível, até. Mas essa escolha demonstra que, até em seus momentos de maior destaque, a personagem foi concebida como “interesse amoroso”, e não como a própria pessoa e profissional. Por isso, a coisa que eu mais aprecio no filme de 2025 é que ele mostra muito claramente que esses dois lados da personagem não são mutuamente excludentes e, pelo contrário, são tão intrínsecos que uma comemoração de três meses de namoro vira uma grande entrevista num piscar de olhos.
Mesmo na posição de namorada e de alguém que conhece as puríssimas intenções de Clark, ela não se deixa levar pelo que sabe com o coração e muito menos deixa de lado aquilo que considera fundamental.
Uma pessoa comum diria que ser interrogado pela sua namorada — que não te dá descanso nenhum na busca pela verdade e te mantém alerta o tempo todo — não é o cenário ideal para um date romântico, e muito menos o mais atraente. Parafraseando a maravilhosa Sra. Maisel: é, talvez. Mas menos atraente ainda seria ter uma jornalista tão sensacional quanto a Lois Lane dando menos do que o seu melhor só para não deixar o Clark Kent desconfortável.
Até porque o Clark não se apaixonou por uma mulher pacata, conformada ou disposta a se metamorfosear para agradar os outros. A Lois Lane que conquistou o coração de Clark é uma mulher ambiciosa, inquieta e que, na maioria dos dias, chega perigosamente perto da insanidade para ir atrás do que quer. E ela é, ao mesmo tempo, a mulher que se apaixonou pelo kryptoniano mais humano do mundo e o espera em casa com uma xícara de chocolate quente enquanto ele salva o mundo — ou um cachorro, depende do dia.
As ambições e desejos de Lois Lane são muitos: descobrir a verdade e contá-la ao mundo todo, passar os dias ao lado do homem que a ama o suficiente para escrever o seu nome em letras gigantes no céu, ganhar um Pulitzer, beber infinitas xícaras de café com ilimitadas quantidades de açúcar e estar na capa dos grandes jornais fazendo a diferença — e isso tudo é só para começar.
Lois Lane, assim como Midge Maisel, quer uma vida grande. E eu quero ser exatamente como ela.






